O que não sabes faz-te mal?
Quem segue a fabulosa série “Anatomia de Grey”, como eu, deve ter ficado a matutar num dos assuntos do episódio passado (para quem não ficou aqui fica a oportunidade). Refiro-me à frase de início: “o que não sabes não te pode fazer mal”.
No episódio, a Meredith diz ao Derek (LOL) que se ele quiser ficar com ela que apareça no bar. É claro que, enquanto ela está no bar ele não aparece e mal ela sai (porque se deu uma emergência qualquer que agora não interessa, tivessem visto o episódio!), ele entra pela porta dentro. Portanto, a pobre rapariga simplesmente não sabe se ele acabou por ir ao bar ou não. E isso é simplesmente agoniante.
Pessoalmente, confesso que a frase “o que não sabes não te pode fazer mal” já fez mais sentido dentro do meu encéfalo. Sinceramente, agora penso que quem a disse era um masoquista convicto e orgulhoso que obtinha um prazer imensurável através da agonia que o desconhecimento provoca. É claro que me estou a referir a questões do foro amoroso. Haverá coisa pior do que não saber o que se passou?
Contudo (lá está) reconheço que, em alguns casos, a frase tem o seu encanto. O total desconhecimento da altura em que o meu corpo sucumbirá à entropia causada pela translação do planeta à volta do sol, por exemplo, é-me precioso e fundamental para continuar a existir. Mas de resto …
… não posso deixar de mencionar aquela música dos extraordinários Coldfingers, que a certa altura diz “nothing left unsaid can ever do us wrong”. Será?
O que não sabes faz-te mal?
