19 março 2007

Subir na horizontal

Numa das conversas à hora de almoço, eu e os meus colegas de trabalho, discutíamos os critérios que estavam na origem da selecção de determinados chefes. Alguns deles não possuem o perfil indicado para desempenhar o cargo de chefia que detêm e, como tal, o processo de selecção não foi proporcionado de uma forma nata. Antes pelo contrário, foi fruto de um conjunto de situações favoráveis das quais se destacaram a antiguidade na empresa, a dedicação exacerbada (aquilo a que muitos vulgarmente chamam “os lambe botas”), o factor C e o grau académico atingido.

A conversa encaminhava-se para comparações com alguns dos presentes e desvendavam-se casos flagrantes quando, muito apropriadamente, o André pergunta: “Então e vocês? Seriam capazes de ir para a cama com a vossa chefe, em troca de uma promoção na carreira?”. Rapidamente passámos para uma discussão mais acesa e com reacções muito surpreendentes. Mas o melhor foi mesmo quando o Pedro, visivelmente chocado com as respostas da maioria, se vira para o Tomás e se sai com: “A tua resposta seria a mesma, caso o teu chefe fosse um homem?”. A discussão estava ao rubro, ao ponto de já estarmos sob a mira de olhares de terceiros.

Para o André, um rapaz que fala abertamente de questões pessoais no trabalho como se estivesse no seu grupo de amigos, não havia qualquer impedimento para se envolver com a chefe em prol de uma subida na carreira. No caso de ser um chefe a resposta foi: “Epá por mim na boa desde que fosse eu a ir-lhe ao rabinho”. Já para o Tomás a resposta quanto a ser um chefe foi: “F***-se! Isso é que não. Nem pensar!”.

Para o Pedro era impensável subir na carreira dessa forma. Assume-se como um rapaz de princípios, embora seja comprometido e não deixe de fazer os seus comentários à garanhão, quando a Rosa da contabilidade passa com os seus belos decotes ;)

Para a Teresa, uma das chefes presentes na mesa, há muito que já se teria enrolado com o seu director, não fosse ela uma mulher casada e com filhos. “E porque não?” foi a sua resposta para uma pessoa do mesmo sexo.

Todos concordamos que moralmente não seria a melhor forma de progressão tal como o não é o factor C, mas para alguns de nós, caso a situação se proporcionasse, não faria de nós piores ou melhores chefes do que aqueles que já o são / foram. Apenas encaramos a situação como uma forma possível de ascensão.

E para vocês? Está excluída à partida uma subida na horizontal? O que a torna diferente das outras formas de ascensão? Será que existe o preconceito associado ao facto desta envolver sexo, tornando-a menos dignificante por causa disso?

2 comentários:

DI disse...

Ehpah não.
Não ponho de parte dormir com o chefe, a chefe, o colega ou a empregada de limpeza, mas por motivos meus, não por motivos profissionais. Acho que é orgulho. Vamos imaginar que eu andava a dormir com o/a chefe por motivos pessoais e que ele/a queria promover-me, resposta: "Não obrigada amor, eu consigo sozinha".
EU CONSIGO SOZINHA!!!!

GUTO disse...

Totalmente a favor. Quem quiser empregar esses meios para subir na carreira muito boa sorte. Eu pessoalmente não sei o que faria. Acho que aceitaria a proposta da minha superior (ou do meu superior, tanto me faz - o fim é o mesmo), contanto que houvesse um mínimo de atracção. E claro: teria de ter uma gravação dessa conversa. No caso de a promoção demorar... Pumba! Processo de assédio sexual por um superior no local de trabalho. Olé. Ainda era melhor. Acho que ganhava mais guita do que com a promoção. Ehehehe. Mas pronto, isto já sou eu a divagar.
Em suma, se a pessoa me atraisse eu acho que era capaz de aceitar essa proposta do útil ao agradável (independentemente do sexo).
'Tá dito!
PS - Essa última parte do comment da Di faz-me lembrar uma música da Madonna. Eu também gosto muito dela, mas acho que já disse coisa mais profundas ;)