30 abril 2007

what if...?

Recentemente estive a rever um dos meus filmes preferidos: Before Sunrise. A história desta película, para os que a desconhecem, centra-se num casal, Jesse e Celine, que se conhece num comboio no meio da Europa. Ele faz um interrail sozinho depois de ter falhado uma relação com uma moça agora residente em Espanha, e ela volta para casa depois de visitar a sua avó no estrangeiro.
A química é imediata. Contudo rapidamente chega a situação em que o jovem tem de sair do comboio e tenta convencê-la a sair com ele para se conhecerem melhor. Para tal, argumenta usando a louca teoria de que aquela situação poderá ser encarada como uma viagem no tempo duma cinquentona Celine até aos seus tempos de jovem para se aperceber que afinal o facto de ter declinado o jovem Jesse na altura, esta acabou por ser a sua melhor opção. A partir daqui o filme desenrola-se numa crescente e apaixonante atracção intelectual e sexual entre estas duas paixões confusas.

Depois de visualizar esta cena estive eu a pensar nas minhas relações anteriores e em todas aquelas que poderiam ter chegado a esse estatuto, mas nunca tal aconteceu porque eu não permiti. Será que na altura tomei a decisão correcta. Não estaria agora eu melhor com aquela coisa fofa que desprezei com uma desculpa desfarrapada qualquer? É que, a meu ver, aquelas pessoas em quem investimos (sim, tenho noção que estou a tratar as pessoas como acções duma empresa) é fácil de, olhando para trás, verificar que nunca iria dar em nada. Agora e aquelas que nem nos demos ao trabalho de dar uma oportunidade? Se calhar estava ali a relação ideal e nós desperdiçámos a oportunidade.

Na minha opinião nem vale a pensar nisso, senão cortamos os pulsos de tanta oportunidade desperdiçada ao longo da vida (e não só em termos amorosos). Mas o facto é que, de cada vez que vejo esse filme (e particularmente essa cena) não deixo de me questionar o que poderia ter acontecido se a minha decisão tivesse sido diferente. E devo admitir que existem umas quantas pessoas que me deixam com um pensamento curioso. E com essa curiosidade há uma frase que ecoa durante alguns momentos: «what if...?».

18 abril 2007

Dolce fare niente

Descobri ontem que o eu gosto mesmo, mas mesmo mesmo. Mesmo. É do crepúsculo no Verão. O crepúsculo de Primavera e de Outono também não são maus. O de Inverno é péssimo. Mas o de Verão. Ou de Primavera com cheiro a Verão. Esse sim. É o meu.

Porque adoro as horas. Aquela horinha entre as 7 e as 8 da tarde é simplesmente linda e de longe a minha hora preferida do dia.

E adoro as cores. A cor do céu. O cor de rosinha e depois o azul, aquele azul que eu gosto e nunca sei o nome. A cor da luz. Dourada...zinha, que não faz franzir o sobrolho. A cor das ruas. A cor do Tejo e da ponte. A cor das pessoas.

Adoro o ar. Quente mas arejado, daquela altura quando o fluxo de ar se inverte e a terra começa a libertar calor.

Adoro o cheiro. Aquele cheiro a quente que só o crepúsculo (de Verão) traz.

Adoro estar ali. Em qualquer lado... A fazer nada.

17 abril 2007

Puta de Lei de Murphy - aplicação directa ao quotidiano semanal de Di

A lei universal de Murphy diz que “Se uma coisa deve dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e da forma a causar o pior dano possível.”

E é verdade.

Situação 1. Fnac do CC Colombo. Para quem conhece a Fnac do Colombo sabe que à entrada do lado esquerdo existem 2 balcões de atendimento: bilheteira e reclamações. Ora, ia a Di comprar um cheque disco, em jeito de desespero na meia hora antes de um jantar de aniversário, quando repara que a fila da bilheteira tem imensa gente e a fila das reclamações apenas 1 pessoa. Em jeito de desenrasca (também conhecido por chico-espertismo), toca a ir para a fila das reclamações que também tem caixa logo deve dar para comprar cheques discos. É claro que a fila não anda. Passam 5 minutos e a fila do lado (bilheteiras) tem 2 pessoas. Toca a ir para a fila do lado. É claro que o anormal que estava à minha frente nas reclamações despacha-se e a parvalhona que está agora à minha frente na fila das bilheteiras decide ficar indecisa quanto ao camarote a escolher no coliseu para ver o raio que a parta. Passam 10 minutos. A parvalhona decide mostrar-se culta ao dizer que “pois este camarote tem um acústica maravilhosa mas para este tipo de espectáculo não sei se será o adequado” e a fila das reclamações não tem ninguém. Toca a voltar para a fila das reclamações. Não há ninguém a atender!! Estico-me e espreito. Nada. Entretanto a parvalhona sai e fila das bilheteiras está vazia. Volto para lá. Sou atendida.

SOU ATENDIDA!!!
Juro que ouvi hinos cantados por coros gregorianos.

“olá boa tarde, queria comprar um cheque disco no valor de …” (sou interrompida, não pode ser bom) “cheques oferta é na fila ao lado”, diz a rapariga com o ar mais natural do mundo. Engulo em seco. Várias vezes. Vou para a fila ao lado que entretanto já tem uma rapariga a atender uma senhora. Espero. Bufo um ou duas vezes e acabo por ser atendida pela rapariga da fila das bilheteiras que entretanto ficou sem ninguém.

A sério. Só a mim.

Situação 2. Curso de Yoga. Para quem vem de cascos de rolha para o Marquês de carro por volta das 7 da tarde sabe que é o caos. Nas 8 semanas que o curso já dura nunca consegui estacionar a menos de 4 quarteirões de distância e nunca cheguei a horas. Ora uma bela tarde ia a Di a caminho da aulinha e o trânsito fluía que era uma maravilha. Encontro o quarteirão certo (1ª vitória), vejo um lugarzinho bem jeitoso à porta (2ª vitória) estaciono à primeira de ladecos numa rua a subir (3ª vitória), olho para o relógio e faltam 5 minutos para a aula começar (4ª vitória).

O mundo é meu!!!!

Pego na mochila, entro no prédio e toco à campanhia. Nada. Espero. Hora certa. Ninguém entrou. Espero. Passam 10 minutos. Ninguém aparece. Mau. Tu queres ver … ? Mensagem “ Então hoje num há auleca?” Espero. Ai. Mensagem “ Não! Não viste os mails? Hj há uma conferência … “ não sei do quê não consegui ler mais … fo$a-se. Logo hoje.

Merda.

Situação 3. Cantina do trabalho. Para quem não come carne e come na cantina do local onde trabalha sabe que é sempre bom reservar senha no dia anterior para não haver chatices. Salvo se houver uma cozinheira que engraça connosco e dá-nos sempre o que a gente quer. O que é o meu caso. Excepto naquele fatídico dia. Confesso que não tinha senha porque não era intenção almoçar lá mas tinha uma reunião às 14h, eram 13h30min e estava meio mundo naquela cantina. Chego aos tabuleiros. Tiro os talheres embrulhados naquele papel supostamente higio-sanitário. Tiro sopa. “olá boa tarde, desculpe mas não tenho senha, o que posso comer?” (não é a cozinheira, mau presságio) “pode comer bifinhos de cebolada”, “e sem ser isso?”, “pode comer iscas”, “ e não pode ser peixinho?”, digo eu com o ar mais amoroso possível, “não”, responde a sra ainda com areia do Sahara na boca “ah … então podia-me fazer uma omelete?”, “ hummm…. mas vai demorar”, “tá bem, não faz mal, obrigada, vou andando até à caixa sim?”. Chego à caixa. “o que vai comer?”, “omelete”, “são quatro quarenta e cinco”, “desculpe?”, “sim, como não é prato da ementa é mais caro”, “ah”.

É claro que cheguei atrasada à reunião.

Enfim. Uma semana em cheio.

16 abril 2007

Namoras? Não sei.

Nas primeiras aulas de apresentação de um curso de línguas, é frequente surgirem situações embaraçosas. Fiz parte dum desses momentos, com uma total desconhecida:

(…)
Eu: És casada?
Ela: Não.
Eu: Tens namorado?
Ela: Hum… Não sei.
Eu: Não sabes? Como não sabes??
(desatámo-nos a rir à gargalhada)

A incerteza dela residia no facto de dias antes ter tido uma discussão que a afastou do namorado, embora não houvesse uma separação definitiva. Chegámos à conclusão que afinal ainda tinha namorado LOL Mas não devia ter sido logo essa a resposta?

Podia ter sido um “Não sei” em jeito de desabafo, de vontade de contar como ia a relação procurando uma luz para o caminho a seguir. Mas não o foi, afinal de contas tínhamo-nos conhecido naquele dia. Foi mais um “Não sei” que transmitia a ideia do sentimento fervoroso não ser o mesmo e que mais cedo ou mais tarde acabaria com aquele namorado.

Esta não é a única situação em que a resposta “Não sei” é muitas vezes utilizada. Muitos são aqueles que não gostam de rotular a sua relação, outros há, que remetem para o futuro uma decisão: “Deixa ver no que as coisas vão dar”. Assumirmos uma relação de namoro impossibilita-nos de viver o momento? Estaremos assim tão embrenhados pelo momento que a razão não se consiga sobrepor? Seremos masoquistas em pintar a nossa vida de tons de cinzento? O que nos impossibilita de tomar uma atitude? Medo de um compromisso? Estaremos a adiar o que é inevitável?

O mais importante é, sem dúvida, os envolvidos terem conhecimento do que sentem um pelo outro. Mas não será igualmente importante definirem o que os une? Se sabemos o que é uma curte, uma queca ocasional, uma escapadela fora do casamento, um dar um tempo and so on porque não sabemos se namoramos? Estaremos na presença de outro tipo de relação ainda por apadrinhar?

Quando me perguntarem se namoro e a minha primeira reacção for a de responder “Não sei”, então responderei: “Não. Tenho uma paixão confusa” ;)

10 abril 2007

Provas mortais

Ainda com a mente atordoada dos excessos do fim-de-semana, abstraí-me de tudo à minha volta e de olhos meio fechados meio abertos, fiquei em transe no caminho para o trabalho. Tinha entrado noutra dimensão, as imagens propagavam-se a uma velocidade vertiginosa e a minha frieza em aceitá-las era assustadora. Tudo isto devido ao filme “Saw III – o legado” que vi no Domingo. Interrogava-me quais seriam os engenhos mortais que estariam reservados para mim assim como, o motivo de ser um peão naquele tipo de jogos. O resultado foi o que a seguir descrevo.

Despertei acorrentado a uma cruz, em posição de anticristo. À minha frente distinguia com dificuldade uma cripta de vidro com alguém no interior. A gravação começou e as instruções foram dadas. Tinha escassos minutos para tirar a chave que se encontrava no meu estômago, abrir os cadeados presos às correntes e libertar o meu familiar, antes que a cripta fosse invadida por chamas. Provoquei o vómito para obter a chave e comecei a lutar contra o tempo. Faltavam-me os cadeados que prendiam os pés, quando comecei a ouvir os gritos sufocantes que vinham do interior da cripta. Fiz um esforço descomunal para fazer nova tentativa de abdominal a 180 graus e lá me libertei. Parti o vidro da cripta com o meu próprio corpo e embora o fogo tenha cessado, era tarde. O corpo estava completamente carbonizado infligindo-me queimaduras na cara e nas mãos de tão quente que estava. Esta tinha constituído a minha primeira prova de três.

Tinha desmaiado e encontrava-me agora noutra câmara. Preso a um mecanismo que se assemelhava a um polígrafo mas com os utensílios adequados à temática de mais um jogo mortal. A tinta que ditava o resultado era o meu próprio sangue, as agulhas eram máquinas de tatuar e o papel, as costas de um grande amigo, ao qual estavam ligados os sensores que faziam as máquinas vibrar. A gravação começou e eu só tinha de responder a um conjunto de perguntas directamente relacionadas com o meu amigo. O sensor encarregava-se de detectar a veracidade da resposta e ao fim de umas quantas perguntas, o resultado foi a perfuração dos pulmões e consequente morte. Afinal não o conhecia assim tão bem quanto pensava… Já tinha perdido um familiar e agora um amigo, o que mais me esperava?

Na última prova acordei com a minha paixão à frente. A primeira reacção foi roubar-lhe um beijo mas detive-me, a dela foi a de me pedir perdão. Ainda não conseguia perceber o porquê de tanta angústia mas em breve tudo ficaria claro. Sobre o meu rosto assentava uma bela máscara com o intuito de esconder as queimaduras da primeira prova. Pendurados pelos pulsos e completamente nus, os nossos corpos balançavam sobre um tanque sinistro. A água límpida deixava ver o cardume mortífero que a povoava. Os cortes previamente infligidos largavam sangue para grande rejúbilo desses seres. A gravação começou e aos poucos fomos afastados e separados para cima de uma plataforma com alçapão. O desafio era simples, ou carregava num botão e era o meu alçapão que cedia ou, não fazia nada e ao fim de poucos segundos, era o dela. Enquanto isso, foram accionados os televisores espalhados pelo compartimento. As imagens constituíam a prova de uma traição, petrificando-me e deixando-me inerte para tomar qualquer decisão. A sua plataforma acabou por ceder e foi rapidamente consumida por piranhas. Quanto a mim restava-me duas opções, ou mergulhava no tanque ou seria mais um lunático ostracizado pela sociedade. Escolhi a primeira.

Mas afinal qual o motivo de cada prova? No primeiro jogo a rotina da vida afasta-me cada vez mais do ciclo familiar não permitindo dedicar a atenção necessária às pessoas que incondicionalmente me amam. No segundo o aceitar os outros como são de uma forma natural, não exigindo determinadas acções / mudanças, não me permite dar a conhecer na plenitude, criando falhas no processo de conhecimento de ambos os lados. Já no último dilema, a constante busca pela perfeição, não se estando contente com o que se tem, não me permite gozar ao máximo o momento actual.

05 abril 2007

O Melga

Olá meus amigos. Venho hoje aqui falar-vos duma espécie que muitos de nós conhecem e que todos desprezamos: O Melga. Não confundir O Melga com a melga (nem com nenhum filme do Jim Carrey). A melga é aquele insecto irritante e incomodativo que nos chupa o sangue (à excepção da amiga Aris que tem sangue azedo) e nos deixa marcas durante o Verão inteiro. O Melga não ataca só no Verão, em qualquer altura do ano esta criatura espreita para nos criar mau estar e terríveis comichões na mente. Mas afinal que espécie é esta?Todos nós já passámos pela experiência (não muito agradável, na minha opinião) de ter que dar com os pés em alguém. É maçudo, incomodativo e durante uns tempinhos (para mim normalmente é um dia ou dois) há uma nuance de sentimento de culpa. Mas surge um problema muito grave quando a pessoa despachada não se mentaliza que tudo acabou.

Eu pessoalmente, gosto sempre de tentar uma amizade quando uma relação (ou algo semelhante a tal) acaba. Mas não digo uma amizade como a que eu tenho com os meus amigos de longa data. Gosto de ficar com aquele contacto dos encontros casuais e conversas circunstanciais e (quando a outra pessoa é muito porreirinha) aquele contacto dum cafézito por mês. Acho que é agradável. Mas O Melga não pensa assim. O Melga quer toda a relação que não existiu a evoluir. Quer saber de todos os nossos movimentos e suga tudo o que conseguir. Quer saber sobre a nossa vida amorosa, sentimental, profissional, familiar... Tudo o que conseguir sugar é mais um pouco de energia consumida mas ainda não suficiente. Se O Melga tiver "sorte" ainda consegue sugar um pouco de energia aos amigos da sua vítima, começando com uma lamentação de «ai, o teu amigo não quer nada comigo, porquê?, eu gosto tanto dele, ai vida, nada me corre bem, sou tão infeliz, consola-me...». Dessa lamentação passa por começar a sugar informações sobre a sua vítima original e quando se dá por ele, já o Melga está a deixar marcas nos amigos da vítima original. Começa assim a expandir-se toda uma rede de vítimas para O Melga se rejubilar e sufocar.
É uma espécie que deve ser evitada; contudo, o problema é que em alguns casos não dá para se perceber sob que capas se esconde O Melga.
Como escapar então a esta criatura tão sanguessuga? Muito honestamente não sei, mas se alguém souber por favor informe-me que eu, actualmente, estou a ser vítima dum exemplar (bastante reflexivo da sua espécie, acho que ganharia todos os prémios em concursos do género daqueles dos cãezitos que se passeiam tipo top-models e fazem umas provas de contornar obstáculos) dessa espécie tão temida: O Melga.
É que se pelo menos houvesse um insecticida que funcionasse nestes casos...