16 abril 2007

Namoras? Não sei.

Nas primeiras aulas de apresentação de um curso de línguas, é frequente surgirem situações embaraçosas. Fiz parte dum desses momentos, com uma total desconhecida:

(…)
Eu: És casada?
Ela: Não.
Eu: Tens namorado?
Ela: Hum… Não sei.
Eu: Não sabes? Como não sabes??
(desatámo-nos a rir à gargalhada)

A incerteza dela residia no facto de dias antes ter tido uma discussão que a afastou do namorado, embora não houvesse uma separação definitiva. Chegámos à conclusão que afinal ainda tinha namorado LOL Mas não devia ter sido logo essa a resposta?

Podia ter sido um “Não sei” em jeito de desabafo, de vontade de contar como ia a relação procurando uma luz para o caminho a seguir. Mas não o foi, afinal de contas tínhamo-nos conhecido naquele dia. Foi mais um “Não sei” que transmitia a ideia do sentimento fervoroso não ser o mesmo e que mais cedo ou mais tarde acabaria com aquele namorado.

Esta não é a única situação em que a resposta “Não sei” é muitas vezes utilizada. Muitos são aqueles que não gostam de rotular a sua relação, outros há, que remetem para o futuro uma decisão: “Deixa ver no que as coisas vão dar”. Assumirmos uma relação de namoro impossibilita-nos de viver o momento? Estaremos assim tão embrenhados pelo momento que a razão não se consiga sobrepor? Seremos masoquistas em pintar a nossa vida de tons de cinzento? O que nos impossibilita de tomar uma atitude? Medo de um compromisso? Estaremos a adiar o que é inevitável?

O mais importante é, sem dúvida, os envolvidos terem conhecimento do que sentem um pelo outro. Mas não será igualmente importante definirem o que os une? Se sabemos o que é uma curte, uma queca ocasional, uma escapadela fora do casamento, um dar um tempo and so on porque não sabemos se namoramos? Estaremos na presença de outro tipo de relação ainda por apadrinhar?

Quando me perguntarem se namoro e a minha primeira reacção for a de responder “Não sei”, então responderei: “Não. Tenho uma paixão confusa” ;)

5 comentários:

GUTO disse...

Devo admitir que a minha parte preferida de qualquer relação amorosa é o «não sei». É aquela altura em que tudo é magia e estrelinhas. Não há interesse em definir o que quer que seja, porque pura e simplesmente se está a admirar a magnitude de todos os momentos. Se me perguntarem numa altura destas se namoro, a minha resposta será: «não sei, quero lá saber... enjoy the moment, está tudo tão perfeito». Para quê rotular algo que está a ser sentido e vivido? Para o resto da população poder falar sobre o estado da minha vida sentimental chamando um nome a algo que está muito para além do que qualquer palavra possa exprimir? Para poder dar pulinhos de alegria porque já namoro? Para sentir que dei mais um passo nessa longa caminhada que é uma relação?
São motivos que não me satisfazem. O «não sei» é uma parte importantíssima em qualquer relação. É a altura das descobertas e das aprendizagens. Para quê passar logo para «namorar»? Se querem catalogar uma relação, então que lhe dêem um rótulo que signifique alguma coisa concreta e que de facto defina o que ambas as pessoas sentem. Da próxima vez que me pedirem para catalogar a minha relação com pessoa x, responderei «temos um frio na barriga», ou então «temos sorrisos parolos juntos», ou «tenho pássaros que cantam de cada vez que x sorri». Estas coisas sentem-se e são reais e bem mais expressivas sobre o estado emocional de ambos do que «namoramos».
Mas creio que este tema dá para muito mais conversa do que a que este quadradinho me permite. Além do mais, estou um pouco cansado que acabei de estar com o meu «frio na barriga» e agora só me apetece deitar e ficar com o meu sorriso parolo estampado na cara ;)

DI disse...

Com que então fizeste parte dum (dum?!?) momento embaraçoso ... cá para mim mais parecia um interrogatório à pobre moça para além de que, e tenho cá para mim, o "não sei" era uma abertura para continuarem a conversa noutro lado qualquer, mas claro o menino AGNUB nem sequer pensa nisso.

Quanto aos rótulos sinceramente não sei, acho que isso não é de todo o mais importante mas é reconfortante, até porque todo o objectivo de nomear (rotular o que seja) qualquer coisa é identificá-la e serve para nos situarmos, o que, mais cedo ou mais tarde, é daquelas coisas necessárias.

Nos entretantos acho que o termo paixão confusa dá para muita coisa! No meu caso dá mesmo para tudo! : )

AGNUB disse...

GUTO
“pássaros que cantam” LOL Ui, o efeito da Primavera a bombá-las! Se ainda estás na fase da magia e estrelinhas, estás na fase em que tudo parece possível. É um passo até te atirares de cabeça na relação. Quando menos esperares já estás demasiado envolvido. Então, aí sim é que surge o “Não sei”. Agora o “Não sei” como resposta para evitar o que os outros possam pensar, não me tinha ocorrido. Nem parece uma coisa tua :P

DI
Pois a primeira aula mais parece um interrogatório. Desde saber onde vives, com quem vives até ao saber se és solteiro passando pela tua idade. Aulas mais tarde já estás a trocar o número de telemóvel para se marcar um jantar de grupo ;)

Identificar a relação é importante até porque clarificas o que pretendes e pelo que estás disposto a lutar (defines um objectivo a seguir). Pois é precisamente aqui que o “Não sei” deixa de fazer sentido como resposta. Mas claro está que todos nós temos um ritmo diferente e nalguns casos meses podem não ser o suficiente para se saber o que se quer...

GUTO disse...

Eu acho é q vocês andam todos com uma grande necessidade de definir coisas que, na minha opinião, são bastante complexas de se definir.
Acho que não é uma palavra que vai reflectir sentimentos. Desde que as pessoas comuniquem os limites de cada relação e aquilo que pretendem, não há necessidade de palavras.
Não digo que não se deva falar sobre o assunto para tentar compreender o que ambos (ou mais que ambos, afinal estamos no novo milénio...) sentem. Só digo é que tentar dar um nome é que pode correr mal; até porque sabemos nós bem que a definição de namoro varia muito de pessoas para pessoa.
E já agora: o que raio é estar demasiado envolvido e porque raio será isso mau?
E pequeno último comment: meu querido agnub, acho que a ideia do meu comment original passou-te completamente ao lado: não sou contra as pessoas catalogarem as suas relações, sou contra as pessoas exigirem que as outras o façam.

AGNUB disse...

O objectivo deste post como tema semanal é o de reflectir porque é tão difícil para o ser humano (uns mais do que outros, é certo) definir o tipo de relação de namoro. Acho que estás a concentrar demasiada atenção nos terceiros e não percebo porquê. Talvez seja pela situação real que escolhi. Imagina que era uma conversa entre duas pessoas que se gostam. Se calhar foi a partir do momento em que se deixou de perguntar “Queres namorar comigo?” que o “Não sei” surgiu... ;)

Ninguém disse que os sentimentos eram fáceis mas que nós gostamos de complicar, gostamos :P Ainda bem que temos um blog para escrever o que nos “atormenta” para ver se conseguimos alguma resposta que nos ilumine :D