Provas mortais
Ainda com a mente atordoada dos excessos do fim-de-semana, abstraí-me de tudo à minha volta e de olhos meio fechados meio abertos, fiquei em transe no caminho para o trabalho. Tinha entrado noutra dimensão, as imagens propagavam-se a uma velocidade vertiginosa e a minha frieza em aceitá-las era assustadora. Tudo isto devido ao filme “Saw III – o legado” que vi no Domingo. Interrogava-me quais seriam os engenhos mortais que estariam reservados para mim assim como, o motivo de ser um peão naquele tipo de jogos. O resultado foi o que a seguir descrevo.
Despertei acorrentado a uma cruz, em posição de anticristo. À minha frente distinguia com dificuldade uma cripta de vidro com alguém no interior. A gravação começou e as instruções foram dadas. Tinha escassos minutos para tirar a chave que se encontrava no meu estômago, abrir os cadeados presos às correntes e libertar o meu familiar, antes que a cripta fosse invadida por chamas. Provoquei o vómito para obter a chave e comecei a lutar contra o tempo. Faltavam-me os cadeados que prendiam os pés, quando comecei a ouvir os gritos sufocantes que vinham do interior da cripta. Fiz um esforço descomunal para fazer nova tentativa de abdominal a 180 graus e lá me libertei. Parti o vidro da cripta com o meu próprio corpo e embora o fogo tenha cessado, era tarde. O corpo estava completamente carbonizado infligindo-me queimaduras na cara e nas mãos de tão quente que estava. Esta tinha constituído a minha primeira prova de três.
Tinha desmaiado e encontrava-me agora noutra câmara. Preso a um mecanismo que se assemelhava a um polígrafo mas com os utensílios adequados à temática de mais um jogo mortal. A tinta que ditava o resultado era o meu próprio sangue, as agulhas eram máquinas de tatuar e o papel, as costas de um grande amigo, ao qual estavam ligados os sensores que faziam as máquinas vibrar. A gravação começou e eu só tinha de responder a um conjunto de perguntas directamente relacionadas com o meu amigo. O sensor encarregava-se de detectar a veracidade da resposta e ao fim de umas quantas perguntas, o resultado foi a perfuração dos pulmões e consequente morte. Afinal não o conhecia assim tão bem quanto pensava… Já tinha perdido um familiar e agora um amigo, o que mais me esperava?
Na última prova acordei com a minha paixão à frente. A primeira reacção foi roubar-lhe um beijo mas detive-me, a dela foi a de me pedir perdão. Ainda não conseguia perceber o porquê de tanta angústia mas em breve tudo ficaria claro. Sobre o meu rosto assentava uma bela máscara com o intuito de esconder as queimaduras da primeira prova. Pendurados pelos pulsos e completamente nus, os nossos corpos balançavam sobre um tanque sinistro. A água límpida deixava ver o cardume mortífero que a povoava. Os cortes previamente infligidos largavam sangue para grande rejúbilo desses seres. A gravação começou e aos poucos fomos afastados e separados para cima de uma plataforma com alçapão. O desafio era simples, ou carregava num botão e era o meu alçapão que cedia ou, não fazia nada e ao fim de poucos segundos, era o dela. Enquanto isso, foram accionados os televisores espalhados pelo compartimento. As imagens constituíam a prova de uma traição, petrificando-me e deixando-me inerte para tomar qualquer decisão. A sua plataforma acabou por ceder e foi rapidamente consumida por piranhas. Quanto a mim restava-me duas opções, ou mergulhava no tanque ou seria mais um lunático ostracizado pela sociedade. Escolhi a primeira.
Mas afinal qual o motivo de cada prova? No primeiro jogo a rotina da vida afasta-me cada vez mais do ciclo familiar não permitindo dedicar a atenção necessária às pessoas que incondicionalmente me amam. No segundo o aceitar os outros como são de uma forma natural, não exigindo determinadas acções / mudanças, não me permite dar a conhecer na plenitude, criando falhas no processo de conhecimento de ambos os lados. Já no último dilema, a constante busca pela perfeição, não se estando contente com o que se tem, não me permite gozar ao máximo o momento actual.
Despertei acorrentado a uma cruz, em posição de anticristo. À minha frente distinguia com dificuldade uma cripta de vidro com alguém no interior. A gravação começou e as instruções foram dadas. Tinha escassos minutos para tirar a chave que se encontrava no meu estômago, abrir os cadeados presos às correntes e libertar o meu familiar, antes que a cripta fosse invadida por chamas. Provoquei o vómito para obter a chave e comecei a lutar contra o tempo. Faltavam-me os cadeados que prendiam os pés, quando comecei a ouvir os gritos sufocantes que vinham do interior da cripta. Fiz um esforço descomunal para fazer nova tentativa de abdominal a 180 graus e lá me libertei. Parti o vidro da cripta com o meu próprio corpo e embora o fogo tenha cessado, era tarde. O corpo estava completamente carbonizado infligindo-me queimaduras na cara e nas mãos de tão quente que estava. Esta tinha constituído a minha primeira prova de três.
Tinha desmaiado e encontrava-me agora noutra câmara. Preso a um mecanismo que se assemelhava a um polígrafo mas com os utensílios adequados à temática de mais um jogo mortal. A tinta que ditava o resultado era o meu próprio sangue, as agulhas eram máquinas de tatuar e o papel, as costas de um grande amigo, ao qual estavam ligados os sensores que faziam as máquinas vibrar. A gravação começou e eu só tinha de responder a um conjunto de perguntas directamente relacionadas com o meu amigo. O sensor encarregava-se de detectar a veracidade da resposta e ao fim de umas quantas perguntas, o resultado foi a perfuração dos pulmões e consequente morte. Afinal não o conhecia assim tão bem quanto pensava… Já tinha perdido um familiar e agora um amigo, o que mais me esperava?
Na última prova acordei com a minha paixão à frente. A primeira reacção foi roubar-lhe um beijo mas detive-me, a dela foi a de me pedir perdão. Ainda não conseguia perceber o porquê de tanta angústia mas em breve tudo ficaria claro. Sobre o meu rosto assentava uma bela máscara com o intuito de esconder as queimaduras da primeira prova. Pendurados pelos pulsos e completamente nus, os nossos corpos balançavam sobre um tanque sinistro. A água límpida deixava ver o cardume mortífero que a povoava. Os cortes previamente infligidos largavam sangue para grande rejúbilo desses seres. A gravação começou e aos poucos fomos afastados e separados para cima de uma plataforma com alçapão. O desafio era simples, ou carregava num botão e era o meu alçapão que cedia ou, não fazia nada e ao fim de poucos segundos, era o dela. Enquanto isso, foram accionados os televisores espalhados pelo compartimento. As imagens constituíam a prova de uma traição, petrificando-me e deixando-me inerte para tomar qualquer decisão. A sua plataforma acabou por ceder e foi rapidamente consumida por piranhas. Quanto a mim restava-me duas opções, ou mergulhava no tanque ou seria mais um lunático ostracizado pela sociedade. Escolhi a primeira.
Mas afinal qual o motivo de cada prova? No primeiro jogo a rotina da vida afasta-me cada vez mais do ciclo familiar não permitindo dedicar a atenção necessária às pessoas que incondicionalmente me amam. No segundo o aceitar os outros como são de uma forma natural, não exigindo determinadas acções / mudanças, não me permite dar a conhecer na plenitude, criando falhas no processo de conhecimento de ambos os lados. Já no último dilema, a constante busca pela perfeição, não se estando contente com o que se tem, não me permite gozar ao máximo o momento actual.

3 comentários:
Perante estes teus sonhos a caminho do trabalho (já agora, não quererá este facto significar algo?!?), permite-me fazer 2 sugestões:
1. deixa de ver filmes de terror/suspense;
2. concorrer àquele concurso novo que iniciou este ano sobre contos de terror.
Fora isto, deixa-me que te diga mais 3 coisinhas:
1. mesmo que a rotina do dia-a-dia te afaste do teu núcleo familiar, se de facto fores importante para o mesmo, serás puxado constantemente e não há rotina que vos separe;
2. os teus amigos têm de gostar de ti tal como és e como te dás a conhecer; se exiges acções/mudanças da parte deles, eles terão de ouvir essas sugestões e ponderar sobre elas, porque poderão ser benéficas para os mesmos e para a sua relação contigo;
3. uma coisa é «enjoy the moment», outra coisa é esquecer uma traição: que a puta seja devorada por piranhas, só tenho pena que seja um processo rápido (dada a voracidade desta espécie animal).
Bemmm ...
Ena pah ...
Quer dizer ...
Valham-te os deuses ...
Com a breca!
Humm
Depois do choque inicial não posso deixar de comentar
Jogo 1: 2007 é definitivamente o ano do vómito mas mesmo assim como é que tu vomitas se tás em posição de anticristo?
Jogo 2: vai fazer uma tatuagem!!
Jogo 3: se a tipa pediu desculpa já devias tar preparado ...
E sugerir:
1a- Jogo 4 - tu e um desconhecido
2a - Omite o motivo de cada prova, deixa cada um analisar sem guia ...
E vem aí o saw 4 ... prepara-te AGNUB
GUTO
Deixar de ver filmes de terror / suspense?? Nem pensar! São o meu género favorito. Não tenho pesadelos, apenas reflexões mais profundas do que o esperado :S
Muitos serão ainda os devaneios ao sabor da trepidação do autocarro LOL
DI
O poder da minha imaginação tem destas coisas :P Nunca vomitei em posição de anticristo mas acredito que seja possível :D
Quanto à sugestão do jogo 4 quem sabe noutra altura, noutro contexto, noutro post ;)
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