30 abril 2007

what if...?

Recentemente estive a rever um dos meus filmes preferidos: Before Sunrise. A história desta película, para os que a desconhecem, centra-se num casal, Jesse e Celine, que se conhece num comboio no meio da Europa. Ele faz um interrail sozinho depois de ter falhado uma relação com uma moça agora residente em Espanha, e ela volta para casa depois de visitar a sua avó no estrangeiro.
A química é imediata. Contudo rapidamente chega a situação em que o jovem tem de sair do comboio e tenta convencê-la a sair com ele para se conhecerem melhor. Para tal, argumenta usando a louca teoria de que aquela situação poderá ser encarada como uma viagem no tempo duma cinquentona Celine até aos seus tempos de jovem para se aperceber que afinal o facto de ter declinado o jovem Jesse na altura, esta acabou por ser a sua melhor opção. A partir daqui o filme desenrola-se numa crescente e apaixonante atracção intelectual e sexual entre estas duas paixões confusas.

Depois de visualizar esta cena estive eu a pensar nas minhas relações anteriores e em todas aquelas que poderiam ter chegado a esse estatuto, mas nunca tal aconteceu porque eu não permiti. Será que na altura tomei a decisão correcta. Não estaria agora eu melhor com aquela coisa fofa que desprezei com uma desculpa desfarrapada qualquer? É que, a meu ver, aquelas pessoas em quem investimos (sim, tenho noção que estou a tratar as pessoas como acções duma empresa) é fácil de, olhando para trás, verificar que nunca iria dar em nada. Agora e aquelas que nem nos demos ao trabalho de dar uma oportunidade? Se calhar estava ali a relação ideal e nós desperdiçámos a oportunidade.

Na minha opinião nem vale a pensar nisso, senão cortamos os pulsos de tanta oportunidade desperdiçada ao longo da vida (e não só em termos amorosos). Mas o facto é que, de cada vez que vejo esse filme (e particularmente essa cena) não deixo de me questionar o que poderia ter acontecido se a minha decisão tivesse sido diferente. E devo admitir que existem umas quantas pessoas que me deixam com um pensamento curioso. E com essa curiosidade há uma frase que ecoa durante alguns momentos: «what if...?».

4 comentários:

Anónimo disse...

Falas como se tudo fosse descartável. Digo mesmo, até de forma fria. As acções, têm sentimentos, têm alma e têm cara. What if...? Para os teus olhos, as pessoas deixassem de ser objectos?
Saberás que é preciso dar para receber. E quem não dá, não recebe.
Sê humano GUTO. Sê humano.

AGNUB disse...

Estás arrependido com alguma decisão tomada? :P
Uma relação ideal não surge de um dia para o outro e, como tal, novas oportunidades surgirão caso a primeira falhe. Afinal de contas estamos a falar da relação ideal, certo? Não acredito que por termos deixado passar uma oportunidade seja o fim daquela potencial relação. Se naquele momento não conseguimos agarrar a oportunidade era porque faltava qualquer coisa, não nos sentíamos completos, as condições necessárias para o seu sucesso não estavam reunidas. Melhores momentos virão ;) É só esperar pelo timing certo. Não devemos perder tempo com pensamentos filosóficos do que aconteceria se tivéssemos tomado determinada acção no passado. Já viste a quantidade de universos paralelos em que poderíamos entrar??

GUTO disse...

Agnub: concordo plenamente contigo. Só escrevi este post porque vi o filme e fico com essa sensação durante 5 minutos após ver essa cena. A seguir esqueço logo e só me lembro dessas coisas da vez seguinte que vejo o filme.
E quando penso nas oportunidades "perdidas", não penso com arrependimento, mas com um sorriso: teria sido giro se tivesse seguido aquele caminho, mas agora estou bastante feliz com o que tomei ;)

DI disse...

Realmente existem filmes que nos tocam e que nos deixam confusos, então se formos propícios à confusão (mesmo momentânea) ... ui, é o que se vê.

Mas bem, sobre a questão levantada tenho a dizer que se tiver que ser será, agora ou depois ou na pior altura possível (sim aprendi isto no tantra), olha que o Murphy anda aí, o malandro ...

E sim, pelo post parece que andas arrependido ... já percebi que não, ainda bem.

De qualquer maneira, tenho ainda a dizer que se o meu avô não tivesse morrido ainda hoje era vivo.

É a andar!!

Ah ... e não vejas filmes lamechas ... não te fica bem.

:P