25 maio 2007

A saga de Di (parte qq coisa) - Há dias assim

Confesso que a minha vidinha não me tem corrido particularmente bem. Têm-se sucedido uma série de peripécias que começaram como disparates mas que foram avançando até se configurarem como incidentes ou mesmo acidentes. Começando pelo acidente de carro que tive na passada sexta feira, despoletado pelo disparate de ter trazido todos os documentos necessários para ir à Loja Do Cidadão com a excepção das fotografias. Não foi nada sério, a senhora do peugeot 406 azul à minha frente arrancou só para parar outra vez repentinamente e eu, com a mudança engatada e um vontade tremenda de ir buscar as fotos a casa e ainda ir para a Loja do Cidadão, não parei a tempo. Amolgadela no meu capô, matrícula amachucada e um risco branquinho no carro dela. Troca de nome, número e agora a espera ansiosa pelo telefonema a dar conhecimento da quantia do arranjo. Não costumo ser desconfiada mas sempre quero ver.

Escusado será dizer que não fui à Loja do Cidadão. Fui logo para casa, tomei banho e telefonei à ARIS. Não lhe disse isto mas enquanto falava com ela decidi não deixar que este incidente estragasse a minha noite. Saí.

Estava já no metro quando me apercebo que me esqueci da carteira. Solto um foda-se muito no tom seco do que soltei quando bati na sra do peugeot. Para variar ia já atrasada e confesso que contei com a amizade que me esperava para sobreviver a noite. Sim, porque o bem mais valioso que tinha comigo era o belo do telemóvel (o cartão Lisboa Viva não conta). Felizmente tenho amigos lindos que me pagaram o jantar e o cinema, e que infelizmente escolheram (quase) o pior filme de todos os tempos mas que deu horas de gargalhadas por quão mau que era.

Depois disto fui ter com os amores e a noite correu bem porque os meus amores são lindos.

Só para ficar registado apanhámos um taxista muito macho que conseguia identificar travestis como ninguém (ou sras com badalho como lhes chamava) e que tinha um fetiche com sapatos femininos sobretudo sapatos de cetim e/ou com lantejoulas. Sim porque um salto alto é o que faz de uma mulher Mulher e ninguém anda melhor de salto alto do que as italianas. As brasileiras, coitadas, em salto alto metem dó.

Já me doía a barriga de tanto rir.

Entretanto e continuando a saga de Di, passo a noite inteira (na verdade a manhã inteira) a sonhar com tudo o que me aflige. Num único sonho consigo que a Di versão onírica passe por horrores daqueles que causam atrofio mental só porque revelam com exactidão as fragilidades da Di versão mundo real.

Salvé o glorioso dia de sexta feira, 18 de Maio (especialmente no intervalo 18h – 00h e a manhã do dia 19).

Vou agora pedir a todas a fadinhas da Floribella que me salvem de semelhante fado para o dia de hoje.

23 maio 2007

Pimba em dose dupla

Já sentado, apercebi-me que aquela iria ser uma viagem em que não desfrutaria do meu momento de transe... O autocarro arranca e o motorista resolve colocar uma cassete ou um CD de música portuguesa daquele que faz palpitar o coração de miúdas e graúdas, o Tony Carreira. A reacção da grande parte dos passageiros é a de gargalhada total. O motorista não se apercebendo da mensagem transmitida, continua com a música. Passados alguns minutos, olho para o meu lado direito e vejo duas colegas a trautear as canções e como se não bastasse, também estão a gesticular, quais meninas do coro. Achei que estava numa cena de apanhados mas não. Para ajudar à festa, eis que um colega pede para aumentar o volume numa das suas músicas preferidas e se sai com: “Quem é que quer ser o meu par?”. A agitação era tanta que por mais que tentasse dormir não conseguia, tinha ataques compulsivos de riso. Um início de manhã diferente, cheio de adrenalina, não havendo necessidade de tomar café para despertar.

O dia de trabalho correu dentro da normalidade e no regresso ao final da tarde, entro no autocarro e sento-me. Minutos depois a música começa a tocar e digo para mim mesmo: “Oh não! O mesmo motorista que da parte da manhã.”. Já estão a ver o que aconteceu, não já? Pois que agora a cassete ou CD era um mix de música portuguesa que poder-se-ia muito bem chamar Os melhores êxitos Pimba. Os comentários às letras das músicas iam-se sucedendo e não consegui evitar abstrair-me da situação. Havia músicas que constituíam verdadeiras pérolas. Não cheguei a perceber se eram a nova moda por causa das temáticas abordadas ou se eram antigas devido à linguagem utilizada. Uma das músicas parecia uma desgarrada em que a mulher pedia algo como “arreia as calças” e o homem retorquia com “arreia-as tu”. Numa outra o homem gostava de mulheres com pêlo e não queria que a sua fosse à depilação, repetindo ao longo da música “depila é que não, depila é que não”. Fez-me lembrar o taxista de Sexta-feira quando comentou “Epah, que gaja boa! É pena é ter badalo.”. Apita o comboio não faltou e só pensava que estava numa excursão da 3ª idade. Estivesse o autocarro parado, a deixar sair os passageiros e acho que todos saiam em filinha com as mãos em cima dos ombros do companheiro da frente. Arrependi-me várias vezes por não trazer sempre comigo o leitor de mp3…

19 maio 2007

Carpe Diem

Esta semana recebi uma SMS de um amigo meu, com a mensagem que lhe escrevi na fita de finalista, faz agora cerca de 3 anos: “sonha como se vivesses para sempre, vive como se morresses hoje”. Fez-me lembrar das semanas em que nós, os finalistas, andávamos numa correria desenfreada para trocar fitas e à procura da inspiração necessária à escrita de tantas outras num só ápice. Mas também me fez recordar o período complicado que vivi nessa altura, adivinhando o que me esperava nos próximos tempos e a certeza de não estar preparado para tal.

Quando o nosso futuro se apresenta cinzento ou quando não conseguimos atingir os objectivos a que nos propusemos ou quando o nosso coração é dilacerado pela morte de um ente querido ou mesmo a perda daquele que pensávamos ser o nosso grande amor ou quando somos vítimas de uma doença mortal, paramos para pensar e eis que muitas vezes surge como salvação a expressão Carpe Diem. Passa então, a fazer parte do nosso quotidiano sem que o seu significado seja completamente interiorizado, à semelhança do que acontece com tantas outras expressões como o “Valha-me Deus!” proferido por um ateu.

A frase da SMS enquadra-se precisamente no espírito Carpe Diem, transmitindo uma mensagem positiva embora associada a uma visão negativa da vida. A filosofia Carpe Diem é a de aproveitarmos as oportunidades que nos vão surgindo sem pensar no amanhã ou muitas vezes encarada como uma justificativa para o prazer momentâneo.

Mas, quantas foram as vezes que nos apeteceu voltar as costas ao nosso chefe ou não fazer o que ele nos pediu ou simplesmente mandá-lo à merda? Quantas foram as vezes que deixámos de comprar aquilo que mais queríamos ou deixámos de estar com os nossos amigos porque a situação financeira não permitiu? Enfim, são inúmeras as situações em que não aproveitamos a oportunidade para as fazer deixando-nos condicionar por um aparente comodismo. Porém, é na amizade e no amor que vamos mais longe e que não hesitamos em implementar o Carpe Diem. Vivemos os momentos com grande intensidade mas tornamo-nos incapazes de lutar quando os obstáculos surgem. Situações há em que ficamos prisioneiros desses momentos, tão intensos, levando-nos a mergulhar na escuridão. Deixamo-nos ir à deriva nessa maré de oportunidades, na esperança de alcançarmos um porto para atracar. E quando o encontramos, arriscamos e deitamos tudo a perder em prol do Carpe Diem...

17 maio 2007

Disparates

Desde ontem que só faço disparates. A explicação tântrica diz que é tudo devido à influência que a lua e o seu ciclo têm em cada uma das alminhas que pisa esta Terra. E vão mais além. Sim, porque para evitar desgraças, os iluminados até fazem jejum aquando da lua cheia e da lua nova, na esperança (no caso deles na certeza) de dominarem a mente e evitarem os disparates.

Pessoalmente, culpo o Murphy e rio-me que nem uma perdida.
Para verem:

Disparate 1. Ontem. Saio do trabalho por volta das 18h30min (record mundial), encontro um caminho novo e muito mais rápido para ir para o marquês (basicamente vou pelo rato em vez de ir pelo saldanha ... sim só descobri agora). Encontro a rua certa. Estaciono à porta. Chego 10 min antes das 19h. Toco à campanhia e ... sim, é claro que correu mal. Ninguém atendeu ... eu devia-me ter percebido do dejá vu.

A aula era às 19h30min.

Disparate 2, 3 e 4. Hoje de manhã. Chego ao trabalho e tenho uma indicação da chefe que diz “envia este mail do endereço geral (endereço geral a sublinhado) e diz isto, aquilo e aqueloutro”. Sim senhora trato já. E tratei. Disse tudo e não só enviei do meu mail como fiz com conhecimento à chefe. Convencida que fiz uma grande coisa, logo de seguida resolvo preparar a reunião que tenho em meia hora sublinhando os parágrafos importantes do documento para discussão. Não só sublinho furiosamente como me apercebo que sublinhei exactamente o parágrafo antes do pretendido. Bem, não é grave, vou fazer chá. Estou a despejar o chá do bule para a chávena quando a tampa cai e o chá sai explosivamente para todo o lado excepto para a chávena, enquanto o pacote de chá fica pendurado a espalhar pingas para tudo o que é documento importante. Cuidadosamente e com a mão livre tento apanhar o saco de chá apenas para constatar que a mão não estava livre mas tinha o pacote de açúcar aberto que fica extremamente feliz ao juntar-se ao chá espalhado para tudo o que é coisa.

O engraçado disto foram as caras da minha chefe e da sra. da limpeza.

E a mesa ainda pega.

10 maio 2007

Jogo ou Realidade?

Tudo começou com um jogo para o qual, confesso, não estar preparado para jogar. Um cenário que conhecias perfeitamente bem, tomando a posição de rainha. Eu, um mero peão cujos sentidos eram invadidos por novas sensações. Ao início ludibriado com os teus gestos e as tuas palavras mas aos poucos, como bom aprendiz que sou, também comecei a jogar. As minhas palavras e acções fizeram-te recear e precipitaste-te em acabar com o jogo, com medo que a ilusão se confundisse com a realidade. Mas agora, vacilaste e não cumpriste com o prometido, voltando a desejar-me. Para mim, as regras mudaram e estou completamente lúcido daquilo que procuras. Arriscas-te a saborear o travo amargo de uma das pessoas mais doces que dizes ter conhecido... Viver o momento é sempre bom mas se for para satisfazer caprichos momentâneos de nada valerá a pena, rapidamente se tornará efémero, só se for lutado / sofrido é que poderá ser perpetuado. Por isso fico inquieto quando penso o que me leva a voltar a jogar, se ambos sabemos qual é o nosso futuro??

07 maio 2007

Amesterdão – Red Light District

Amesterdão, cidade que tive o prazer de visitar na semana passada. Uma cidade de contrastes que me transmitiu liberdade, capaz de despertar em mim o (des)equilíbrio há muito aguardado. Talvez pelo tempo ameno que se fez sentir, provocou-me a ilusão de belos momentos de prazer a desfrutar nos parques, nos canais, nas ruas, nas lojas, nas esplanadas, nas bicicletas, nos bares, ...

Foram muitas as peripécias vividas ao lado da companheira de viagem DI. Todos os dias tiveram momentos altos, dignos de serem escritos e recordados mas não aqui neste blog. Por agora gostaria apenas de registar a pergunta que a DI me fez, após termos visitado a Red Light District: “Não sentiste curiosidade em experimentar?”. Nunca me passou pela cabeça recorrer aos serviços de uma prostituta para ter sexo. Acredito que teria muito a aprender mas talvez por uma questão de orgulho (e não de preconceito!) não penso nisso. Será que é mais um desajuste no meu cromossoma Y? No entanto, admito que se vivesse na Holanda seria muito mais provável experimentá-lo do que aqui em Portugal. Quem sabe se quando tiver 40 anos e continuar um solteirão não recorrei a tal acto.

Longe de ser o ex-líbris da cidade de Amesterdão, a Red Light District é a zona mais underground onde se pode encontrar todo o tipo de pessoas mas é sem dúvida o negócio do sexo que faz movimentar as suas ruas. A frase sexo sem tabus nem preconceitos nunca fez tanto sentido para mim como naquele sítio. É frequente ver as prostitutas nas vitrinas que não são mais do que espaços alugados, com cama e casa de banho, cuja parede frontal é feita de vidro através da qual a prostituta, em trajes ousados, se dá a conhecer aos transeuntes. A sua atitude e presença é do tipo Sim, sou uma puta. E depois? Vais ficar a olhar comportando-te como um menino da mamã ou vais entrar e portar-te como um homenzinho que gosta de foder, tal como eu?

Geralmente adoptam uma posição de passividade mas poderá ser usual a própria prostituta chamar o transeunte com um piscar de olho e um gesto de vem cá com o indicador. As opções são muitas e para todos os gostos. O cliente escolhe a boneca com quem quer brincar e tudo decorre como se fosse uma conversa entre vizinhos. Acertado o preço, ela convida-o a entrar e as cortinas são corridas. Depois do servicinho feito, acompanha-o até à porta e despedem-se. Sexo é sexo e ela só poderá desejar “Next!”.

Um mundo perfeitamente integrado no quotidiano dos holandeses, pelo menos dos que ali vivem. Por isso, não é de estranhar que em frente das “vitrinas de sexo” existam lojas ou restaurantes, que por cima morem famílias ou que na rua paralela exista uma igreja. Enfim, uma legalização que melhorou em muito as condições das mulheres que escolheram a profissão de prostituta mas que acentuou o seu papel de mero objecto sexual. Quem disse que os homens não brincam com bonecas? :)