19 maio 2007

Carpe Diem

Esta semana recebi uma SMS de um amigo meu, com a mensagem que lhe escrevi na fita de finalista, faz agora cerca de 3 anos: “sonha como se vivesses para sempre, vive como se morresses hoje”. Fez-me lembrar das semanas em que nós, os finalistas, andávamos numa correria desenfreada para trocar fitas e à procura da inspiração necessária à escrita de tantas outras num só ápice. Mas também me fez recordar o período complicado que vivi nessa altura, adivinhando o que me esperava nos próximos tempos e a certeza de não estar preparado para tal.

Quando o nosso futuro se apresenta cinzento ou quando não conseguimos atingir os objectivos a que nos propusemos ou quando o nosso coração é dilacerado pela morte de um ente querido ou mesmo a perda daquele que pensávamos ser o nosso grande amor ou quando somos vítimas de uma doença mortal, paramos para pensar e eis que muitas vezes surge como salvação a expressão Carpe Diem. Passa então, a fazer parte do nosso quotidiano sem que o seu significado seja completamente interiorizado, à semelhança do que acontece com tantas outras expressões como o “Valha-me Deus!” proferido por um ateu.

A frase da SMS enquadra-se precisamente no espírito Carpe Diem, transmitindo uma mensagem positiva embora associada a uma visão negativa da vida. A filosofia Carpe Diem é a de aproveitarmos as oportunidades que nos vão surgindo sem pensar no amanhã ou muitas vezes encarada como uma justificativa para o prazer momentâneo.

Mas, quantas foram as vezes que nos apeteceu voltar as costas ao nosso chefe ou não fazer o que ele nos pediu ou simplesmente mandá-lo à merda? Quantas foram as vezes que deixámos de comprar aquilo que mais queríamos ou deixámos de estar com os nossos amigos porque a situação financeira não permitiu? Enfim, são inúmeras as situações em que não aproveitamos a oportunidade para as fazer deixando-nos condicionar por um aparente comodismo. Porém, é na amizade e no amor que vamos mais longe e que não hesitamos em implementar o Carpe Diem. Vivemos os momentos com grande intensidade mas tornamo-nos incapazes de lutar quando os obstáculos surgem. Situações há em que ficamos prisioneiros desses momentos, tão intensos, levando-nos a mergulhar na escuridão. Deixamo-nos ir à deriva nessa maré de oportunidades, na esperança de alcançarmos um porto para atracar. E quando o encontramos, arriscamos e deitamos tudo a perder em prol do Carpe Diem...

3 comentários:

DI disse...

E Carpe Diem também para ti!

Confesso que gosto de frases inspiradoras. Dão-me alento.

Contudo penso que a exploração do tema que aqui fizeste foi estranha, quase como se o carpe diem fosse a desculpa ideal para se fazer toda a merdunça que se quer em prol da satisfação momentânea. Para mim isso não é o carpe diem.

Para mim o carpe diem é consciente, é dares valor à vida e a tudo o que fazes, é agires sabendo e aceitando as consequências dos teus actos (não cagando para elas), é realmente o viveres hoje como se morresses amanhã e planeares a vida como se vivesses para sempre.

Talvez o conceito não esteja bem interiorizado, talvez esteja a ser usado de modo egoísta quando é precisamente o contrário ... bem, como em tudo, uma coisa é saber outra é fazer ...

AGNUB disse...

Talvez as nossas perspectivas sejam como a visão do copo meio cheio ou do copo meio vazio. A tua ideia é claramente uma visão cor de rosa e racional do Carpe Diem :) A filosofia do Carpe Diem é precisamente pensar o menos possível no amanhã (afinal de contas morre-se amanhã!) e, como tal, não pensar à partida nas consequências que os nossos actos podem tomar. Não há lugar a planeamentos. Apenas nos atirarmos às oportunidades de cabeça, aproveitando o tal momento. Claro que depois o nosso amanhã está condicionado pelas escolhas que fizemos e se calhar muitas das vezes não estamos preparados para enfrentar as consequências...

Deixo-vos uma frase de Richard Bach que li há pouco tempo e que me passou a marcar: “A tua única obrigação durante toda a tua existência é seres verdadeiro para contigo próprio” ;)

GUTO disse...

O Carpe Diem é uma frase feita. Era tudo muito bonito se pudéssemos simplesmente viver como se não houvesse amanhã. Mas a verdade é que o amanhã existe e não nos podemos esquecer dele. O Carpe Diem de hoje, pode tranformar-se no Fuck! de amanhã.
De facto, não percebi muito bem a inclusão desse conceito no post (parece-me um conceito colado com pastilha elástica). Não creio que o mergulho numa amizade ou numa paixão seja consequência dum Carpe Diem mas sim duma fé na outra pessoa. E quanto aos obstáculos que eventualmente surjam não será por essa máxima que os evitamos, mas sim pela incapacidade de acreditar na outra pessoa.
Independentemente disso tudo, eu defendo que não devemos viver o hoje como se não houvesse amanhã, mas sim aproveitar os bons momentos antes que eles acabem. Eu sei que existe um amanhã que desconheço, e é a consciência dessa incerteza que me faz querer aproveitar o hoje caso ele seja bom ou acelará-lo caso ele seja mau. Ou seja, Carpe Diem QB.