Pimba em dose dupla
Já sentado, apercebi-me que aquela iria ser uma viagem em que não desfrutaria do meu momento de transe... O autocarro arranca e o motorista resolve colocar uma cassete ou um CD de música portuguesa daquele que faz palpitar o coração de miúdas e graúdas, o Tony Carreira. A reacção da grande parte dos passageiros é a de gargalhada total. O motorista não se apercebendo da mensagem transmitida, continua com a música. Passados alguns minutos, olho para o meu lado direito e vejo duas colegas a trautear as canções e como se não bastasse, também estão a gesticular, quais meninas do coro. Achei que estava numa cena de apanhados mas não. Para ajudar à festa, eis que um colega pede para aumentar o volume numa das suas músicas preferidas e se sai com: “Quem é que quer ser o meu par?”. A agitação era tanta que por mais que tentasse dormir não conseguia, tinha ataques compulsivos de riso. Um início de manhã diferente, cheio de adrenalina, não havendo necessidade de tomar café para despertar.
O dia de trabalho correu dentro da normalidade e no regresso ao final da tarde, entro no autocarro e sento-me. Minutos depois a música começa a tocar e digo para mim mesmo: “Oh não! O mesmo motorista que da parte da manhã.”. Já estão a ver o que aconteceu, não já? Pois que agora a cassete ou CD era um mix de música portuguesa que poder-se-ia muito bem chamar Os melhores êxitos Pimba. Os comentários às letras das músicas iam-se sucedendo e não consegui evitar abstrair-me da situação. Havia músicas que constituíam verdadeiras pérolas. Não cheguei a perceber se eram a nova moda por causa das temáticas abordadas ou se eram antigas devido à linguagem utilizada. Uma das músicas parecia uma desgarrada em que a mulher pedia algo como “arreia as calças” e o homem retorquia com “arreia-as tu”. Numa outra o homem gostava de mulheres com pêlo e não queria que a sua fosse à depilação, repetindo ao longo da música “depila é que não, depila é que não”. Fez-me lembrar o taxista de Sexta-feira quando comentou “Epah, que gaja boa! É pena é ter badalo.”. Apita o comboio não faltou e só pensava que estava numa excursão da 3ª idade. Estivesse o autocarro parado, a deixar sair os passageiros e acho que todos saiam em filinha com as mãos em cima dos ombros do companheiro da frente. Arrependi-me várias vezes por não trazer sempre comigo o leitor de mp3…

3 comentários:
e viva o preconceito! se calhar há pessoas que ao repararem que tu trauteias músicas da pink e da baby spice também têm vontade de cortar os pulsos, mas preferem continuar caladas, porque elas sabem que «gostos não se discutem». Pode ser que para a próxima o motorista resolva colocar umas musiquinhas das pussy cat e já vais tu a abanar o rabinho viagem fora.
Acho que devias fazer download de algumas das músicas que mencionei para adicionares à tua colectânea de mp3 de música popular portuguesa e depois gozares com as letras e actuações, como costumas fazer ;) Exactamente, gostos não se discutem mas pela tua resposta não é isso que fazes :(
Epah só abanar o rabinho não me colocaria ao nível das prestações dos meus colegas. Acho é que com uma musiquinha das Pussycat devia saltar para o colo das duas colegas do lado, claro está ao ritmo de Buttons ;)
LOL
Abanar o rabinho
LOL
Pela descrição isso mais parecia um ônibus brasileiro, recordando com saudade a viagem de finalistas, onde a música (pimba) brasileira reinava e havia bailarico em cada deslocação que se fazia.
Muito bom.
E viva o pimba que há dentro de cada um de nós!
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