24 setembro 2007

Uma noite de pesadelos...

Ontem à noite resolvi ficar em casa a desfrutar de um programa de noite diferente daqueles a que estou habituado. Deitado, procuro algum programa na televisão que me desperte a atenção. Paro breves instantes no canal 18 e verifico que está a dar mais um programa sobre as posições do Kamasutra versão tantra, em que o acto não é consumado e os participantes não parecem nada estimulados. Enfim, aquilo a que muitos de nós já nos habituámos a apelidar de porno chachada. As imagens não me excitam e, portanto, é uma noite em que a casa de banho não terá a minha visita.

A programação televisiva é uma seca e em breve, as minhas atenções viram-se para o livro de cabeceira. No decorrer da leitura, chego a um parágrafo que descreve a história de dois irmãos bastante influentes naquela cidade. Lutaram para vencer na vida e são hoje empresários de sucesso. Encontram-se solteiros não por falta de opção, mas porque se apaixonaram na adolescência pela mesma mulher, vivendo na esperança de a conquistar. Lutam por aquilo que sempre desejaram e estão determinados em não se entregar aos prazeres de outras mulheres que tanto os cobiçam, mesmo que o amor pelo qual se debatem se afigure impossível.

A partir daqui os meus olhos acompanham cada frase em vão, pois o meu cérebro já não consegue processar a informação retida. Passo para outra dimensão. Começo a reflectir sobre o que acabei de ler e a questionar-me sobre um conjunto de situações. Perco-me nos meus pensamentos e rapidamente, já estou noutra dimensão – a dos sonhos ou melhor, neste caso, dos pesadelos.

Dirijo-me para o casamento de ARIS, quando te cruzas comigo e nos cumprimentamos com um beijo prolongado na boca. Não temos nada um com o outro, apenas o desejo há muito adormecido a falar mais alto. Também vais para um casamento. A nossa conversa é interrompida pela aproximação de DI. Repentinamente despedes-te de nós e segues caminho. A DI está eufórica e radiante de alegria. Não pára de me bombardear com “Boa AGNUB! Conseguiste. Não me disseste nada porquê? Tu estás lá, tu vai.”, para meu grande descontentamento. Estou confuso! Sinto-me a tremer e a transpirar. Acordo num sobressalto terrível, precipitando o livro directamente para o chão do quarto.

Sei que ultimamente te tenho visto mais vezes do que é normal, levando-me a crer que o destino não pára de me pregar partidas. Sei que fizeste parte dos meus desejos sexuais de adolescente mas hoje és uma tormenta depois das escolhas que fiz...

20 setembro 2007

2 in 1

Pois é. Também voltei após ausência acentuada. Contentes? Nem por isso? Atribuam a culpa de tal feito a uma vontade enorme de não me aplicar nos afazeres que me assombram o neurónio. E como um assunto não me chega irei tratar de dois assim de rajada, como quem diz, 2 in 1.

1. Assolado por um mood menos agradável e intelectualmente desgastado, fiz o que bastantes mortais fazem por aí: fui zappar um pouco. Neste processo dei de caras com o dr. phill, esse grande senhor da psicologia universal. Na consulta retratada neste episódio surgiu algo que nem no filme mais doentio daquele realizador que agora não vem à causa o nome seria de esperar: uma jovenzinha apaixonou-se pelo assassino do seu irmão, agora na prisão por ter cometido tal acto. E como se não bastasse a mãe da moça (e do falecido) apoia a decisão da filha. Consequentemente, a família destas duas criaturas tão desprovidas de neurónio pediu ajuda ao grande dr. phill. Pois que ambas dizem que falaram com ele uma vez para terem um personal disclosure (que eu aprovo totalmente) e que, face às contínuas mostras de arrependimento do assassino, perceberam que este estava arrependido e que era altura da irmã do outro infeliz se apaixonar pelo seu carrasco. Não vale a pena desenvolver mais este assunto. Só quis expôr neste blog um pouco da estupidez humana que por esse mundo se espalha. O meu comentário a este assunto resume-se ao seguinte: sei que o amor não escolhe caras, idades, sexos, religiões, étnias e tudo o mais, mas acho que pode bem NÃO ESCOLHER assassinos de familiares. Tenho dito.

2. Pois que por aqui não me passeava há muito tempo. Muitos foram os posts deixados aos quais não deixei a minha marca pessoal (há quem chame a estas marcas comments). Em vez de andar por aí a espalhá-las, reuno-as todas neste pequeno texto:
a) As férias de Di: parece-me que foram dias fantásticos mas já te disse que a senhora da mata não te faz bem ao neurónio.
b) O império Berska: por vezes a passear pelos centros comerciais pergunto-me se terão aberto uma danceteria nova por ali mas basta olhar para 3 pisos acima e 10 lojas à frente e vejo que é uma dessas lojinhas que dão emprego a tanta coitadinha saída da casota do fernando namora.
c) Em reflexão: eu acho que já perdi o meu papelinho :S e fica aqui a nota: essa do veneno cheira-me a lavagem de roupa suja.
d) Os inuteis: oh Di amiga, e quem é que não tem um pouco de inútil dentro de si? ;)
e) Harpia - o reencontro: tenho mesmo de conhecer essa criatura que tanto vos assombra e que nunca vislumbrei.
f) Uma destas noites: ...
g) Relações: caro agnub, se nos dias que correm tudo te parece tão egoísta e negro, é porque não andas a passear pelos sítios certos.
h) Um domingo qualquer: Levanta-te!
i) Sexta-feira no bairro alto: vide Relações.

Foram comentários breves mas espero que úteis.

Assim terminou o meu 2 in 1.

Até breve.

10 setembro 2007

Sexta-feira no Bairro Alto

Aproxima-se mais uma Sexta-feira à noite e com ela uma nova realidade. A rotina da semana é temporariamente esquecida e o cansaço transforma-se subitamente em força motriz. O meu corpo ganha uma nova vida, como se tivesse acabado de assimilar uma pastilha de ecstasy ou um esteróide para ser conduzido até ao limite. Já sinto a energia do álcool a percorrer-me as veias.

Sei que vou estar com as minhas paixões ou pelo menos com parte delas e isso é o mais importante para mim. Mais uma noite de paródia e o destino, o mesmo dos últimos tempos – Bairro Alto. Movimento-me pelas suas ruas outrora labirínticas cuja maioria das esquinas é dominada por traficantes de droga. É inevitável a sua abordagem e muitas das vezes sou o seu alvo. Os meus amigos costumam brincar, dizendo que são os meus olhos já semi-encerrados que dão um ar de ganzado. Outros, preferem a teoria de aparentar um elevado poder de compra quando a oferta é coca. Vá lá que os dealers se contentam com um não, ao contrário dos senhores que andam a vender rosas pela noite de Lisboa.

Tenho um conjunto de bares de eleição que faço questão de visitar regularmente. Alguns ainda fazem parte das minhas primeiras incursões pelo Bairro Alto, outros há que representam as novas tendências. Não há um plano estabelecido para o percurso a fazer, apenas a determinação de me divertir. As escolhas vão sendo feitas ao longo da noite e quando menos se espera já são 4 da manhã. As ruas altamente povoadas ao início da noite, com a riqueza de contraste de pessoas, dão agora lugar a uma nova realidade. É altura do dark side assumir o controlo do final da noite através do comportamento de oportunistas que patrulham as ruas, em busca das vítimas mais indefesas.

Fim-de-semana após fim-de-semana continuo a fazer parte da vida do Bairro Alto, ao ritmo que novas caras vão aparecendo e tantas outras que desaparecem inexplicavelmente. Até quando servirás de cenário às minhas aventuras?

04 setembro 2007

Um domingo qualquer

Num domingo qualquer acordo com uma secura na boca que me faz levantar e percorrer o corredor até à cozinha. Pelo caminho lembro-me que podia ir à casa de banho que era mais perto mas continuo. Já na cozinha deparo-me com uma luminosidade que não estava à espera enquanto que a cabeça começa a latejar com os cumprimentos matinais do pássaro enjaulado. Bebo água. Podia beber 20 copos de água que continuaria com sede. Desisto. Nem sequer volto para o quarto para abrir os estores, agarro no comando e deito-me no sofá enquanto penso no banho que devia tomar, no jornal que devia comprar e no dia lindo que está lá fora. Ligo a televisão que faz aquele som, aquele zzzst, que dá início à viagem pela vida e pelas histórias de outras gentes. Enquanto faço zapping descubro com alegria que já há foxlife outra vez e deixo-me ficar. Vejo tudo mas não assimilo grande coisa e passados uns bons episódios de uma série qualquer penso que se calhar era boa ideia ir comer qualquer coisa. Levanto-me e vou à cozinha. Abro o frigorífico mais vezes do que as necessárias e finalmente tiro um iogurte. Já estou a comer quando toca o telefone. Atendo e uma voz demasiado alegre pergunta-me se já conheço os novos planos de uma operadora telefónica qualquer iniciando um monólogo longo e desinteressante que ouço enquanto como o iogurte. Acabo por conseguir balbuciar que não estou interessada e volto para a foxlife. Enrosco-me e faço zapping. Deparo-me com mais um filme americano sobre as alterações climáticas e penso que se isto fosse nos anos 50 seria um filme sobre aliens. O filme é tão aborrecido que dou por mim a pensar noutras coisas. Em ti, mais especificamente. Em ti a quem devia telefonar, em ti a quem devia convidar e em ti com quem devia falar. Deixo o pensamento viver a sua vida própria que insiste em mostrar-me todas as coisas que tenho de fazer quando me levantar do sofá. Se algum dia me levantar do sofá.

03 setembro 2007

Relações

Chego a casa com a mente cansada e o corpo a pedir aconchego. Se fosse hipocondríaco já tinha atribuído a culpa a um cancro ainda não detectado ou a uma depressão que se avizinhasse. Pragmático que sou, confiro-o aos excessos do fim-de-semana, às noites mal dormidas e à rotina semanal que me consome aos poucos, viciando os meus sentidos.

Demoro alguns minutos a adaptar-me à realidade familiar que paira no ar. A minha mãe está outra vez a falar ao telemóvel com o meu pai. Pergunto-me o que têm tanto para conversar um com o outro, dia após dia, mês após mês, ano após ano. Não estarão cansados dos mesmos assuntos, dos mesmos enredos, das mesmas brincadeiras, dos mesmos nomes carinhosos?

As novas relações do século XXI afiguram-se tão diferentes... Muitas são efémeras mas vividas com intensidade. Outras comodistas mas com dedicação recíproca. Outras uma reprodução vã de “até que a morte nos separe”. Outras há, que têm a prepotência de ser relação mas que nem isso lhe podemos chamar. Nos dias que correm parece tudo tão egoísta, muitos são os que se entregam facilmente, poucos os que cedem e ainda menos os que estão dispostos a lutar. As tentações surgem ao piscar de um olho, ao gracejo de um piropo, à ousadia de um decote, ao atrevimento de uma interpelação, ao ritmo de uma música, ao roçar intencional (e não acidental!), ...